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Mãe, educadora,estudante de Licenciatura em Pedagogia , último período na UNIRIO, amante dos livros. Uma professora dedicada e que ama a sala de aula.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Contar história: Uma Linguagem de Afeto!


 Contar Histórias: Uma Linguagem de Afeto
Laerte Vargas

O processo de formação de um leitor começa bem antes dele aprender a
decodificar a leitura a partir do texto escrito. O início deste caminho e a
sedução para o mesmo se dão ainda no berço, através dos acalantos e parlendas
e, claro, da ambiência de afeto que este momento propicia.
A partir das cantigas de ninar, a criança vai criando ferramentas para se
tornar leitor e identificar a espinha dorsal de uma narrativa.
No entanto, é errada a idéia que comumente se tem de que contar histórias é
privilégio dos pequenos. O ofício de contador de tem me mostrado que contar e
ouvir histórias é uma arte sem idade, o que confirma a máxima popular que diz
que “de uma boa história ninguém escapa”.
As histórias não só ensinam como também nos convidam a olhar para dentro,
pois apresentam os percalços e deleites que a vida nos reserva. Algumas linhas
de psicologia, inclusive, defendem a idéia de que crianças que ouvem histórias
na infância se tornam adultos mais seguros e profissionais bem sucedidos. Isso
porque o texto ouvido na infância fica ecoando em nossa memória afetiva e
serve de alicerce para o processo de individuação; internalizamos a idéia de que
a vida não é exclusivamente um mar de rosas e que temos muitos dragões e
bruxas a vencer nesta trajetória de crescimento.
Mas, afinal, o que conta o conto?
As histórias populares mostram sempre, num primeiro plano, um personagem
sendo compelido a um processo de transformação: ele é expulso de casa ou tem
que fugir; enfim, sair do âmbito familiar para cumprir uma tarefa essencial
para sua sobrevivência ou de um ente querido. Muitos contos iniciam mostrando
a morte da mãe “perfeita demais” para que possa dar lugar a um indivíduo único
e inimitável. A partir disso, ele se confrontará com impasses morais, terá que
discernir o bem do mal, atravessar florestas escuras ( seus medos ) para fazer
jus ao “ser feliz”.
Na verdade, são questões que não fazem parte unicamente do repertório
infantil e, sim, norteadores para uma vida com mais qualidade e expressão.
As histórias nos acordam dos nossos encantamentos, abrem espaço para outros
e se tornam fiéis parceiras em nossos processos de transformação.
“Mas, já temos tudo pronto... A televisão não é o mais prático contador de
histórias?”, perguntarão alguns.
Sem dúvida, a televisão hoje em dia é uma janela para o mundo. Mas, quanta
poluição entra quando resolvemos abrir a janela de nossa casa?
Simplesmente apertamos um botão, selecionamos um canal e não nos
preocupamos (e nem temos tempo) para filtrar o que é servido às nossas
crianças... E quanto da capacidade imaginativa cerceamos quando damos as
imagens já prontas e num ritmo industrial que nunca conseguirá suprir a
afetividade que o contar histórias proporciona! Cada ouvinte imaginará a
história do seu jeito, ele mesmo será o pintor desta tela e elegerá as cores que
usará.
E, o melhor de tudo, terá os olhos do contador como porto seguro para sua
viagem. Tudo isso faz do contar histórias uma linguagem única e que pode ser
desenvolvida por qualquer um que tenha no coração um ninho aconchegante para
recebê-las e compartilhá-las.

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